quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Thiago Fragoso se despe da figura do mocinho


Com um rosto angelical e fala mansa, Thiago Fragoso é, geralmente, associado ao estereótipo do bom moço. Apesar de já ter interpretado tipos malvados e nada ortodoxos --como o Carlos da temporada de 1996 de "Malhação" e o Rodrigo de "Agora É que São Elas"--, ele percebe que é mais lembrado pelos personagens bonzinhos de sua carreira. "Tenho essa imagem forte com o público dos meus trabalhos com os bonzinhos. Mas não é bem isso. As pessoas esquecem que já fiz tipos problemáticos", explica. Por isso mesmo, para dar vida a Vitor, em "Araguaia", foi preciso mudar o visual. Thiago deu adeus aos cachinhos tão característicos e adotou um "look" mais despojado. Para tanto, fez um relaxamento nos fios, que ficaram levemente ondulados. "Esse personagem vem em um momento de mostrar uma maturidade maior e quebrar um pouco essa coisa da figura inocente", acredita. "Não é que para fazer vilão não possa ter o cabelo cacheado. Mas acho que esse cabelo novo deu uma suavizada e mais credibilidade na maldade", completa. 

Na trama, Vitor é dono de um frigorífico e disputa o amor de Manuela (Milena Toscano), com Solano (Murilo Rosa). Aparentemente frio e calculista, ele se dá muito bem com Max (Lima Duarte), pai da moça, com quem faz algumas falcatruas para tentar separar a ex do novo namorado. Porém, apesar do caráter duvidoso, vez ou outra, Vitor se arrepende das coisas erradas que faz. "Ele tem uma dubiedade muito grande. Tem momentos que não dá para saber se o Vitor é herói ou vilão", diz. O personagem, inclusive, terá uma grande virada na história. Depois de sofrer um acidente de avião,  Vitor passa a repensar sobre sua vida e suas atitudes. Além disso, Max, que era seu grande parceiro nas armações, se torna um grande inimigo. "Eles vão ter um 'arranca rabo' sério e deixam de ser amigos. Tudo que vem antes para o Max é o interesse e o poder", avalia. Nesse momento de reflexão do personagem, o envolvimento com Amélia (Júlia Lemmertz), sua ex-sogra, se intensifica ainda mais. "Vai dar o que falar. Não sei como os personagens vão lidar com isso dentro da trama", conta.

Mas a repercussão desse relacionamento polêmico, por enquanto, está sendo divertida. Pelo menos, é o que Thiago tem percebido via Twitter. "As pessoas falam: 'Ih! Vai pegar a sogra'", revela, aos risos. Além disso, o caráter elástico do personagem tem rendido os mais paradoxos comentários. Há quem diga que Vitor é o homem perfeito para se casar. Por outro lado, algumas pessoas demonstram raiva do papel. "Tem gente que acha o Vitor ótimo e tem gente que acha ele um canalha. É um personagem dúbio e as pessoas estão percebendo isso", analisa. E foi justamente esse perfil que mais chamou atenção de Thiago. Tanto que, quando foi convidado para atuar em "Araguaia", o diretor Marcos Schechtman lhe ofereceu dois papéis opostos: um tipo bonzinho --com o qual Thiago já demonstrava domínio-- e Vitor, um papel com uma certa "dureza". O ator não teve dúvidas. "Falei: 'Me dá o vilão, que é o que eu preciso nesse momento'", recorda.

Para conseguir imprimir a frieza que o personagem exige, Thiago teve uma preparação intensa. Foi conhecer de perto o trabalho realizado em um frigorífico. Lá, acompanhou o trajeto do boi desde o pasto, passando pelo curral, até o caminho da morte. "Mas não vi a matança", avisa. Testemunhar todo esse processo, aliás, não foi nada fácil para Thiago. O ator confessa ter tido de se concentrar para não fazer feio no local. "Fiquei com medo de cair minha pressão e os peões pensarem: 'Esse cara aí, não sei, não... Cheio de frescura...'", conta, aos risos. Mas o trabalho de composição também contou com momentos bem mais leves. Principalmente, quando o elenco teve aulas de forró. A dança ajudou no entrosamento entre os atores, que puderam se conhecer melhor. "A dança fala muito da pessoa. A Milena [Toscano], por exemplo, não deixa ninguém levá-la, tem um pouco do temperamento da Manuela. Já a Júlia [Lemmertz] é uma 'lady' e se deixa conduzir à vontade", conta.

Fonte: UOL TV

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