sexta-feira, 30 de março de 2012

Cartola do diretor não fez mágica no BBB12


Os coelhos tirados da cartola do diretor Boninho não fizeram mágica na edição do BBB12 que terminou ontem.

Duas das principais qualidades do reality show mais longevo e rentável da televisão brasileira têm sido a energia de quem faz o programa e a permanente capacidade de reinventá-lo.

Não à toa, o “BBB12” terminou nesta quinta-feira com um anúncio (estão abertas as inscrições para o “BBB13) e uma promessa de novidade (apenas dez candidatos serão selecionados).

Foi, porém, um programa frouxo, sem pique, que nem mesmo o suingue de Thiaguinho conseguiu animar. Saltaram aos olhos os sinais de que é preciso fazer algo para estancar o crescente desinteresse por este produto tão importante para a Globo.

Os coelhos que sempre saíram da cartola do diretor Boninho, ajudando o “BBB” a se renovar a cada ano, não produziram o efeito desejado em 2012. Ao contrário, eu diria que nada deu certo nesta edição.

O caso Daniel: O “BBB12” será lembrado, infelizmente, como a edição em que a Globo eliminou um participante por “comportamento gravemente inadequado” logo no sexto dia e passou os dois meses seguintes tentando abafar o caso e reescrever a história do jogo.

Operação-abafa: Eliminado Daniel, a primeira medida de Boninho foi proibir que os participantes mencionassem o nome do modelo no jogo. Monique deixou a casa para depor à polícia, no Projac, e foi igualmente orientada a não falar do assunto com seus colegas ao retornar.

Tipos óbvios: A seleção de candidatos resultou num fracasso de grandes proporções. Batizados com clichês como “o descolado”, a “perua”, o “galã”, a “princesa”, o “ogro”, os 16 participantes poderiam, na verdade, ter sido apresentados com três nomes apenas: as gostosas, os bonitões e os esquisitos.

Conflito forçado: Como tem ocorrido já há alguns anos, a divisão em dois quartos ou casas estabelece obrigatoriamente um conflito previsível. Este ano, entre “Praia” e “Selva”. Surpreendente, a esta altura, seria um “BBB” sem esta divisão estanque.

De olho no espelho: Como Paulinha fez no “BBB11”, Rafa narrou o jogo em voz alta, diariamente, prevendo cada passo do reality. Os candidatos, a esta altura, nem fingem mais que olham diretamente para as câmeras atrás dos espelhos em vez de encarar os colegas de confinamento. Como surpreender estes “bebebólogos”?

"Discursos": Marca do programa, os discursos de eliminação de Bial, ou suas "croniquetas", como chamou, divertem cada vez mais pela falta de sentido. O apresentador disse no programa final que os candidatos, nervosos, não têm  como entender mesmo o que ele diz. O mesmo vale para o público, tranquilo, no sofá de casa.

Paredão duplo: Tentativa louvável de alterar a dinâmica do jogo, os paredões duplos, no lugar dos triplos, não produziram o efeito desejado e caíram igualmente na rotina.

Sem surpresa: Que eu me lembre, Boninho só conseguiu, de fato, surpreender os participantes uma única vez em todo o programa: quando Jonas atendeu o Big Fone e Bial exigiu que indicasse alguém para o paredão em cinco segundos.

Improvisação: Mais uma vez, chamou a atenção a quantidade de erros técnicos, provas mal elaboradas e improvisações feitas no programa. O resultado de uma prova do líder teve que ser anulado por conta de um erro de produção. Os problemas alimentam a suspeita do público sobre a idoneidade do reality.

Sem transparência: Não há uma política clara de divulgação de número de votos para o público. Quando interessa, Bial descreve formidáveis avalanches de votos; quando os números não são tão bons, ele praticamente não fala a respeito. O paredão final teve 43 milhões de votos, contra 50 milhões do “BBB11” e 150 milhões do “BBB10”.

Ibope: De uma audiência média de 47,5 pontos no “BBB5”, o Ibope caiu ano a ano, alcançando o seu momento mais baixo no BBB11, com média de 24,8. Este ano houve uma discreta melhora e chegou a 25,3, sem contar os últimos três dias.

Publicidade e merchandising: As notícias sobre o faturamento com publicidade, que Boninho sempre divulgou para alguns colunistas, desapareceram em 2012, num claro sinal de que o entusiasmo do mercado com o programa não é mais o mesmo.

Revanche: O apresentador Faustão, que ousou falar o nome proibido de Daniel em seu programa, foi punido. Apesar de ter oferecido o seu palco para o modelo, a primeira aparição do rapaz foi à mesa do café da manhã de Ana Maria Braga, que conversou com ele por quase uma hora sem fazer uma única pergunta sobre o ocorrido no “BBB12”.

Fonte: Maurício Stycer, do UOL

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